Para minha grande e eterna companheira (junho de 2011)


Enrolei alguns dias para escrever algo. Primeiro por saber que sou manteiga derretida e vou ter derretido antes do ultimo ponto final, segundo por se tratar das linhas mais duras que eu já escrevi até hoje e terceiro... bom não sei!
No dia 23 de junho deste ano (2011) fui acordado com a pior noticia do mundo: Filó estava morta!
Minha primeira reação foi a mais normal possível: chorar! A segunda também: chorei! E a quarta, quinta, sexta...
Acho que muitos estão achando um baita exagero da minha parte, mas a Filó não era apenas uma cachorra que estava conosco desde 2000, ela era mais. Era um membro da família e mais que isso era a companheira de todas as horas para todos que sentassem ao seu lado.
O momento mais dificil foi chegar em casa e não escutar um latido lá no fundo, como quem diz "Opa! Tem gente aí! Alguém vai ver!". Depois de ter a minha vigésima reação do dia minha memória me sacaneou e sem que eu percebesse voltou alguns capitulos, mas mostrou apenas o que ela queria.
Vi uma cachorrinha pequena que descia o degrau da area e não conseguia mais subir. Uma cachorrinha que passou a primeira noite chorando de medo do desconhecido. Tinha também uma que corria pelo quintal todo, dando voltas, como se perseguisse a presa e ela, rainha e caçadora, estivesse quase alcançando o pobre animalzinho indefeso. Vi até mesmo uma que não perdia a oportunidade de escapar pelo portão e correr, correr como se não houvesse o amanhã. Vi várias cenas, muitas das quais nem preciso falar, estão guardadas em um lugar muito especial.
Depois que a minha memoria me sacaneou, chegou a vez da minha consciência que ficou martelando por horas e me perguntou quem estará lá fora para eu dar tchau quando for sair, quem vai avisar que alguém toca a campainha, que algo bicho apareceu por aqui, quem vai ficar me olhando com cara de dor na hora do jantar, implorando um pedaço de seja lá o que eu estiver comendo. Cansei das marteladas e deixei que o meu coração respondesse. Ele, astuto mas não como sempre, disse que ela estará sempre em todos esses lugares, eterna, com a alegria que só a cachorrinha mais especial que o mundo já viu tinha.
Nesses 11 anos tive a melhor amiga que o mundo poderia me dar. Brincou quando ninguém mais brincou. Mordeu quando achou que devia. Chorou e pediu ajuda quando precisou. Até ouvir as minhas historias ouviu, quando não não tinha ninguém para ouvir as primeiras palavras de um pequeno leitor.
Enfim... como disse a manteiga já derreteu e acredito que não consiga mais escrever, resta agora lembrar....lembrar...lembrar...




Comentários

Thaís C. disse…
Não tinha nenhuma necessidade de me fazer chorar uma hora dessas, não tinha! A Filó fica só no peito, é isso que importa!
Carol Bicudo disse…
e agora ela tá lá cantando "aonde quer que eu vá"

lembre-se do privilégio que foi ter ela com vc. quando a dani morreu me disseram: não lamente. agradeça pq vc a teve!

é fácil falar, mas por mais difícil que seja, é muito bom pensar assim!!

te amo e to aqui sempre!
Gabriel Trevisan disse…
Obrigado minhas lindas! S2
m.b.m. disse…
que triste :/
to seguindo, se tiver um tempinho me segue também ?
obrigada dese já :D

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